Os Caboclos da Mata

Quarta Poesia e Música no Centro Cultural da UFMG

Os Caboclos da Mata

Sessão de cantos das tradições do Candomblé, da Umbanda e da Jurema

Com a Ialorixá Marlene Rodrigues, a Rainha Conga Isabel e o mestre Emílio Xacriabá
Dia 25 de maio, às 20:30h no Centro Cultural da UFMG

Endereço:
Av. Santos Dumont, 174 – Centro
Belo Horizonte/MG

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Maria Inês de Almeida: Índio só vive pela alegria.

Maria Inês de Almeida é coordenadora do curso de Formação Intercultural de Educadores Indígenas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), desde a criação em 2006. Mas seu contato com os  índios vem de quase 20 anos. Ela também foi consultora da exposição Demasiado Humano, em cartaz no Espaço TIM UFMG do Conhecimento. Na entrevista abaixo, Inês fala sobre a situação atual dos indígenas brasileiros, por ocasião da comemoração do Dia do Índio, no dia 19 de abril.

1 – O indígena mineiro e brasileiro ainda tem só o dia 19 de abril para comemorar sua existência?

Os índios só continuam existindo porque todos os dias comemoram a vida. A alegria de viver – prova dos nove – é a marca mais visível dos chamados “índios”.

2- Pelo experiência adquirida em seu contato de quase duas décadas com pessoas de várias tribos, no curso de formação intercultural de educadores indígenas da UFMG, como estabelecer uma relação digna entre a cultura branca e a indígena?

Na verdade, meu contato antecede o curso de formação intercultural da UFMG, que começou em 2006. Comecei a trabalhar com os professores indígenas em 1996, no Programa de Implantação das Escolas Indígenas de MG, da Secretaria de Estado da Educação. Qualquer relação digna se baseia no respeito mútuo. Entre “brancos” e “índios” não é diferente. O diálogo, possível com a escuta e a atenção, é fundamental para a relação.

3- O censo de 2010 deve indicar o crescimento da população de alguns povos que vinham se extinguindo ao longo do século XX. A que se deve essa inversão?

Deve-se principalmente à constituição de 1988, que passou a garantir aos povos indígenas o direito às próprias culturas: línguas e linguagens, religiões, e, principalmente, a suas terras. O direito aos territórios simbólicos e reais fez com que os povos fossem reconhecidos enquanto tais, e também que as populações das aldeias aumentassem.

4- A participação dos povos indígenas na formação do povo brasileiro é muito representativa. De modo geral, todos os brasileiros têm sangue indígena.

No Brasil, só não é índio quem não quer ser. Digo isto parafraseando o antropólogo Eduardo Viveiros de Castro, que em um ensaio interessante chama a atenção para o fato de que todos nós, brasileiros, somos em alguma medida indígenas: pelo parentesco sanguíneo, pelo parentesco cultural, pela língua, pela forma de amar, de ser feliz, de rezar, etc.

5- Pelo estágio atual de aculturação e miscigenação dos povos indígenas, para qual lugar aponta o futuro das etnias brasileiras?     

Aculturação é uma palavra que caiu em desuso porque não corresponde a nenhuma realidade. Isto não existe. Cultura é justamente aquilo que se baseia na transformação. Sem tradução não existe tradição. Mestiçagem é o que há: desde que o mundo é mundo os povos estão se misturando. A vitalidade da espécie humana, sua força, está na miscigenação.

Os povos indígenas, em geral, amam a mistura e a mudança. O ameríndio basicamente é aquele que diria, como lembra  Oswald de Andrade: “só me interessa o que não é meu”.

Poderíamos afirmar, fazendo um projeto de futuro para o Brasil: seremos realmente livres e independentes na medida em que cada vez mais nos devirmos indígenas.  (Nice Silva)

Fonte: Espaço TIM UFMG do Conhecimento

Campanha de Valorização da Cultura Indígena

Vídeos Guarani + IECAM

São 7 Vídeos de 1 min. cada um com visão indígena Mbyá-Guarani, expressada pelo cacique Geral MG do Rio Grande do Sul, José Cirilo Morinico. Produção: Povo Guarani RS e IECAM (www.iecam.org.br). Patrocínio: Programa Petrobras Ambiental. Apoio: IPHAN e TVE RS. Direção: Saturnino Rocha.

Tabebuia – Índios. Pensamentos. Educação

Tabebuia – Índios. Pensamento. Educação

Convidamos os interessados a enviarem textos para o segundo número da revista TabebuiaÍndios. Pensamento. Educação.

Tabebuia se traduz do Tupi como madeira que não afunda e é o nome científico (refere-se ao gênero) da árvore Ipê. A revista contém ensaios (plásticos e verbais), reportagens, literatura, relato de experiências, resultados de pesquisas. Estão previstas três florações (amarelo, roxo e branco). A revista é uma publicação do Curso de Formação Intercultural de Educadores Indígenas da UFMG (FIEI). O primeiro número saiu em setembro de 2009 e esperamos que o próximo  – Ipê roxo – saia até julho de 2011.

O objetivo geral da revista é ampliar, nos estudos universitários, a discussão sobre a educação no Brasil, especialmente no que tange ao desafio de se criar um espaço para o pensamento indígena, em sua diferença, tendo como eixo pragmático a chamada “escola indígena” e a formação de seus professores. O público alvo é a comunidade universitária, comunidades indígenas, estudantes e pesquisadores em geral.

Sobre o envio de textos:

–  Os textos devem ser enviados até o dia 31 de março de 2011.

– Os textos a serem enviados não precisam ser verbais, podendo consistir também ou exclusivamente em desenhos ou fotografias.

– Podem ser manuscritos (se vindos de aldeias) ou, de preferência digitados, devem estar em word, formato .doc, fonte times new roman.

– Imagens devem ser enviadas no original ou em arquivo digital formato .tiff, com resolução mínima de 300X300 dpi.

– Não há limite de páginas para as matérias, nem exigências quanto à linguagem (podem ser textos em línguas indígenas ou estrangeiras).

– Se forem escritos em língua indígena ou estrangeira, é necessário enviar junto um resumo em português.

– Se houver citações ou referências bibliográficas, estas  devem ser feitas nas normas da ABNT.

– Os textos devem estar assinados e com todas as indicações sobre sua procedência ou circunstância em que foram produzidos.

– Devem ser enviados pela internet, ou em CD e em versão impressa, por correio, para o endereço indicado ao fim desta chamada.

Observações:

– Não haverá qualquer tipo de remuneração pelos textos publicados, uma vez que se trata de uma revista acadêmica, editada com subsídios do MEC, a ser distribuída gratuitamente.

– O Conselho Editorial se reserva o direito de pedir reformulação ou negar a publicação de quaisquer textos que não estejam compatíveis com seus objetivos. Não haverá devolução de originais, exceto no caso de pinturas ou desenhos.

As sessões previstas no próximo número da  Tabebuia são as seguintes ( serão bem vindos artigos para qualquer uma delas):

Jardim do Pensamento: edições das transcrições das palestras proferidas pelos indígenas convidados a cada primeira semana das etapas intensivas do FIEI/UFMG; ensaios de autoria indígena sobre seus temas de pesquisa.

Paraiá (onça, em Xacriabá): ensaios de autoria de colaboradores em geral. Elaborações teóricas/artísticas que denotem a complexidade das relações entre os saberes indígenas e os universitários, bem como as possibilidades, abertas pela “escola”, de diálogos interculturais.

Kren no nak (cabeça na terra, em Krenak): relatos de experiências e reportagens sobre os cursos do PROLIND e outros.

Penãhã (ver, em Maxakali): literatura-poesia-desenhos de autoria de índios e/ou não índios envolvidos com o pensamento indígena.

Kekatá (águas, córregos, em Pataxó): textos e temas diversos.

Endereço para envio das colaborações:

Internet:
Para Letícia ou Maria Inês em:
licenciaturaindigena@fae.ufmg.brcrenac@gmail.com

Correio:
A/c Maria Inês de Almeida
Rua São João Evangelista, 815. Ap. 602. Santo AntonioCEP 30.330-140Belo Horizonte – MG / Brasil

Conselho editorial:  Profa. Dra. Antonia Vitória Soares Aranha (Pro-Reitora de Graduação da UFMG); Prof. Dr. César Guimarães (professor do curso de Comunicação da FAFICH- Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas/UFMG); Profa. Dra. Daisy Turrer (professora da escola de Belas Artes e líder do Núcleo de Estudos da Cultura do Impresso da UFMG); ); Profa. Dra. Lúcia Castello Branco (professora titular da Faculdade de Letras da UFMG); Prof. Dr. Marcos Vinícius Bortolus (professor do curso de Engenharia Mecânica da UFMG); Profa. Dra. Maria Inês de Almeida (coordenadora editorial da revista. Professora da FALE – Faculdade de Letras e do FIEI/UFMG); Profa. Dra. Patrícia Kauark (diretora do Espaço Tim UFMG do Conhecimento); Profa. Dra. Sonia Queiroz (coordenadora da área de Edição do curso de Letras da UFMG